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Fauna Report / Artigo

O que uma área protegida realmente protege

Uma linha no mapa não é uma cerca. Por que o mundo consegue bater suas metas de área "protegida" enquanto a vida selvagem continua desaparecendo dentro dos limites.

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Os governos gostam de anunciar a porcentagem do seu território terrestre ou marinho que está "protegida". É um número limpo, fácil de colocar numa manchete e fácil de comparar com uma meta. Também é uma das cifras mais enganosas da conservação, porque uma área protegida é uma designação legal, e não um fato físico — e é justamente na distância entre as duas coisas que mora a maior parte do problema.

Designar é a parte fácil

Traçar um limite e dar-lhe um nome custa uma assinatura. O que acontece dentro desse limite depois custa dinheiro, equipe e vontade política, todos os anos, indefinidamente. São coisas completamente diferentes, e só a primeira aparece na porcentagem.

É por isso que os conservacionistas falam em parques de papel: áreas totalmente protegidas no papel e completamente desprotegidas na prática. A reserva existe na lei e nas estatísticas nacionais. No terreno não há fiscais, não há fiscalização, e não há nenhuma diferença mensurável em relação à terra desprotegida ao lado.

As quatro coisas que um limite precisa para funcionar de verdade

Uma área protegida só protege quando várias condições se cumprem ao mesmo tempo, e a falha de qualquer uma delas esvazia as demais:

  • Fiscalização. Alguém precisa ser capaz de impedir a atividade que a área foi criada para evitar — desmatamento, caça ilegal, pesca, invasão. Regras sem patrulhas são apenas sugestões.
  • Os limites certos. Uma reserva traçada em torno de um topo de montanha que ninguém queria, enquanto os vales férteis de que os animais de fato precisam ficam de fora, protege a paisagem, não a biodiversidade. Isso é comum, porque a terra mais barata de proteger é aquela pela qual ninguém está competindo.
  • Conectividade. Uma ilha isolada de habitat cercada por lavouras ou estradas vai perdendo espécies aos poucos, independentemente do que aconteça lá dentro. As populações precisam se mover, se reproduzir e recolonizar.
  • Financiamento e posse estáveis. Uma proteção que fica sem verba, é reduzida ou revertida pelo próximo governo nunca foi realmente proteção. Isso acontece com frequência suficiente para ter sua própria sigla na literatura.

Quem vive ali também importa

O velho modelo de proteção — traçar uma linha, remover as pessoas, chamar aquilo de natureza intocada — tem um histórico ruim, tanto do ponto de vista ético quanto prático. Muitas das paisagens mais biodiversas do mundo são habitadas e manejadas por povos indígenas e comunidades locais, muitas vezes de forma mais eficaz do que agências estatais com orçamentos apertados.

Uma proteção que trata as pessoas de dentro como o problema tende a produzir ressentimento, conflito e um descumprimento silencioso. Uma proteção que trabalha com elas tende a durar. As evidências sobre isso mudaram bastante o campo, e o modelo da "conservação-fortaleza" já não é a suposição padrão que já foi.

Como ler a porcentagem

Então, quando um país anuncia que protegeu 30% do seu território, as perguntas úteis não são sobre o número. São sobre o que está por baixo dele:

  1. Protegido no papel, ou manejado no terreno? Existe fiscalização, ou é um parque de papel?
  2. Protegendo o quê? Os habitats de que as espécies realmente precisam, ou a terra que ninguém disputava?
  3. Conectado ou isolado? As populações conseguem se mover entre áreas protegidas, ou ficam encurraladas?
  4. Durável? Financiado e juridicamente seguro, ou a uma eleição de distância de ser desfeito?

Uma área menor que é genuinamente manejada protege mais vida do que uma imensa que existe apenas num banco de dados. A porcentagem diz quanto foi designado. Não diz quase nada sobre quanto foi salvo — e esses são os dois números que mais vale a pena não confundir.

Fontes e leituras adicionais